segunda-feira, 29 de março de 2010

O Covarde Porrete de Serra contra a Greve dos Professores: Crônica de uma Estúpida e Previsível Batalha no Morumbi




1. Alerta ao leitor

Campo de guerra. Insanidade, truculência generalizada e nostalgia de um tempo que ainda não se desfez. Sintomas que a história se repete quase sempre com as mesmas cores e péssimos aprendizes. O que se presenciou nesta sexta-feira, 26/03, em frente ao estádio do Morumbi e ao lado do Palácio dos Bandeirantes é o que podemos classificar de pateticamente bizarro. Teço aqui uma conjuntura estritamente pessoal de quem acredita na mobilização dos trabalhadores, mas não crê na retórica do palanquismo histriônico ou na tal “liberdade” na semidemocracia brasileira.



2. Greve e retóricas bobagens

Toda greve é essencialmente um movimento político. Os governantes sempre procuram confundir a opinião publica buscando desqualificar os movimentos grevistas. No caso da retórica do governador José Serra, o seu discurso foi sempre de desqualificação do movimento, além das demais ladainhas que preenchem as poucas páginas da Big Mídia sobre a mobilização dos professores do ensino público do Estado de São Paulo. Porém somente uma pessoa demasiadamente ingênua para acreditar que as ações humanas não são movidas pelos motores de natureza política. Aliás, é oportuno separar a política da politicagem. Para variar, toda greve é essencialmente “política” assim como é igualmente “política” o uso e abuso dos cacetes, bombas e balas de borracha dos policiais que cumprem ordens do "patrão" de ocasião. Importante é refletir para uma necessária uma indagação: para que(m) serve o uso de uma greve “política”? No caso específico de um movimento de trabalhadores no sistema capitalista, espera-se que seja usado como um dos instrumentos de melhor pressão na luta por direitos de sua categoria. Há os que questionam a “greve” como instrumento ultrapassado na “hipermodernidade”. Todavia, em nenhuma sociedade de classe prescindiu de um movimento grevista que tem em si um fantástico poder de persuasão e combate. O que devemos questionar são as formas de mobilização e organização. Sem fazer o uso da violência como “tática de ação”, a greve sempre será o maior e mais importante instrumento que dispõe uma classe oprimida em momentos de grande impasse.



3. Descaso e arrogância de Serra e seus tucanos

Organizar uma mobilização de uma imensa e heterogênea categoria como os professores do magistério público de São Paulo não é o mesmo que chamar a turma do bairro para bater bola no final de semana com direito ao tradicional churrasquinho. Tal mobilização de professores, não passa por outro caminho a não ser a construção através da via política. Além dos fatores objetivos que se constitui na ação política, também uma mobilização conta com fatores de grande importância subjetiva como é o caso da indignação e da angustiante desesperança. Agora é risível que velhacos da política como o governador José Serra e seu amigo ocupante provisório da cadeira de Secretário de Educação, Paulo Renato, ficarem alardeando a mesma baboseira de sempre diante das câmeras: “é uma greve política e do PT para desestabilizar o governo Serra”! Claro, claro... Porém nenhum dos dois não diz que o salário base de um professor de “jornada básica” concursado e com nível universitário não passa de dois salários mínimos mensais! Um dos piores salários pagos aos professores no Brasil e ainda é imensamente pior se comparado à economia paulista em relação aos demais Estados da federação. Claro que os ilustres administradores não falam da dificuldade sobre-humana que é dar muitas aulas, em salas lotadas com segurança e logística precárias e, ainda por cima ter que ouvir, de vez em quando, uma doce e explicita honraria: “ei, ‘profe’, vai tomar no c...!” (ou seja, mais nobre singeleza verbal entre tantas outras que apenas reflete nosso delicioso fosso educacional!). Isto sem dizer a massiva leva de professores que padecem agressões físicas e psíquicas ao logo do tempo dentro das precárias condições de trabalho. Ao professor que passa mais de uma década neste sistema insalubre, além dos baixos salários e perda de identidade, é “premiado” com problemas psicossomáticos que desembocam, por exemplo, em fatores cardíacos, cancerígenos ou da natureza psíquica.

Serra e Paulo Renato não dizem à população a verdade sobre o falido sistema educacional que sucessivas gestões do PSDB fizeram o grande favor ao Estado de São Paulo ao destruírem com um tsunami tudo que era possível. Primeiro porque eles não visitam escolas, não entendem patavina da área de Educação (se é que entendem alguma coisa de administração pública além de construir pedágios em estradas privadas e movimentar o “caixa dois” para a campanha em crateras superfaturadas do Metrô!). A dupla não conhece o que administra e é possível que sequer saibam a diferença de ensino fundamental ou médio. Mesmo porque para ilustres personalidades tucanas, escola pública é coisa de pobre, logo, ele (o pobre) somente interessa em épocas eleitoreiras. E quanto ao professor? Que se dane esta cambada que só sabe fazer “trololó”! Serra não é um homem democrático e nem faz questão alguma de ser tal figura. Quanto à sinceridade do não-disfarce do seu lado arrogante, isto é possível dar um crédito ao nosso governador que anseia a brincar de pulo dos Palácios: dos Bandeirantes para o Planalto. Para a nata coalhada da conservadora burguesia paulistana e a vassalagem explicita dos “cidadãos emergentes” (vulgo a tal eterna oscilante e remediada “classe média”), “Serra é o cara!”. Serra é um homem que trabalha não perde tempo: desce a borrachada em vagabundos que atrapalham o transito ou enchem o saco da nobre vizinhança. É... Serra é mesmo o cara... O cara-de-pau!



4. Rumo ao Gueto de Varsóvia paulistano

E voltado à essência paleolítica que permanece rondado até o limiar da segunda década do século XXI. Sigo minha jornada. Para cruzar do extremo da Zona Leste até o Palácio dos Bandeirantes, local da bendita assembléia dos professores, se gasta tempo e paciência... Aliás, muita paciência! Creio que aqui mereça uma prosaica observação. Compartilhando do confortável sistema de transporte da cidade que outrora foi administra pelo então Prefeito José Serra, e que passou o bastão para seu pupilo, o atual Prefeito Gilberto Kassab, converso com uma passageira... E como uma descoberta de petróleo na camada de pré-sal, fico sabendo que ela é da “juventude do PSDB” (ou seja lá o que diabos possa ser isto!). Ex-estudante de jornalismo e voraz leitura da imparcial revista e porta-voz semanal do seu partido, a “Revista Veja, a moça exprimia seu asco pela histórica “cúpula tucana” (José Serra, Mário Covas e Geraldo Alckmin). Pergunto a revoltada tucana: “O que ou quem ‘presta’ no seu partido?”. De bate e pronto ela respondeu: “FHC, é claro!”. Que lindo, uma sobrevivente “Efeagacete”! Para minha felicidade ela apoiava “totalmente a greve dos professores”. Emotivo e Cristo haverá de salvar sua alma, oxalá meu Pai!

Horas depois de fazer turismo metropolitano, enfim cheguei ao matagal onde seria realizada a assembléia. Diga-se de passagem, que não é de se admirar que a administração de Serra seja um caos, sequer o tucano manda pedir para seu pupilo Kassab aparar a grama da própria “casa”! A sensação era de estar adentrando na versão “tropical” do macabro Gueto de Varsóvia, criado pelos nazistas para exterminar os judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Enfim, perdido nas estranhas ruas que ronda palacetes de arquitetura arrogante da burguesia paulista moradora do Morumbi, enfim finalmente na praça em frente ao Estádio do Morumbi.

Em suspensão na atmosfera local, fluía uma sensação claustrofóbica de estar acuado em meio ao matagal, ruas fechadas, tropas policiais rondando o terreno e o impávido estádio de futebol. O cenário evocava para ser desenhada uma previsível tragédia. Pela aglomeração de pessoas, mais parecia dia de algum clássico do futebol a espera de abrir os portões do estádio. Desta vez, o “espetáculo” se desenharia pelo lado de fora dos muros. E diante de tal convidativo cenário, para quê eu estava ali, naquele local esmo? Ah sim, claro, a assembléia, voilá! O carro de som da APEOESP ligado no meio da praça, e como sempre entoavam todos os extensos e soníferos destilares de discursos dos oradores na guerra pelo microfone e gotas de atenção. Empoleirados no carro, tais discursos são tão inovadores, diferentes e criativos quanto um esquema tático de qualquer time do futebol japonês. Enfim, eram os tímpanos do ofício docente em jogo em prol da dignidade da profissão! Resistir ao cansaço e driblar as intempéries são exercícios de hercúlea paciência! Enquanto as práticas do capitalismo neoliberal se metamorfoseiam buscando habilidosamente se atualizar no seu processo de alienação e opressão, os discursos sindicais continuam congelados em algum lugar do passado.

Que dia feliz! Tarde de céu nublado, prometendo uma baita chuva... E observava centenas de professores naquele imenso sacrifício de estar naquela praça insólita e ouvindo verborragias mais insólitas ainda. Não tenho dúvidas que tais colegas já devem ter garanto um lugar no Paraíso de Dante! Somente pelo fato de serem professores de escolas públicas (que são muito mais uma extensão “pedagógica” do sistema carcerário) já mereceria o Paraíso. E imagina ter que agüentar discursos cheirando a mofo de muitas oportunistas “lideranças”? É o Paraíso sem escalas e o desespero sem limites!

Passa o tempo e vem a prometida chuva. Para não se confundido com peixe, é olhar a carteira e ter algum trocado para comprar uma “fashion” capa de chuva na logística surreal dos ambulantes locais (eis um exemplo do custo monetário da greve para quem sequer ganhou o mimoso bônus que tanto Serra propagandeou... Oh, que lástima!). Discursos e mais blábláblás de praxe e, não poderia deixar de ser diante da arrogância de Serra, foi aprovado por todos os professores presentes a continuidade da greve. Vale ressaltar a voluntariosa energia e disposição dos colegas professores em continuar na batalha, pena que a “ilustrada” turma da direção da APEOESP não ajuda na construção e consolidação do movimento. A esmagadora maioria que estava presente nas ultimas assembléias dos professores e também ali, no Morumbi, não estavam por alguma lascívia amorosa pelo sindicato ou signatários a nenhum partido. Não faziam campanha política ou “insurreição popular”. O que se explica o crescente volume da adesão do professores, que embora fosse corrido pela insegurança, apatia por parte dos sindicatos e a generalizada despolitização, tais colegas tinham como alicerces de sua coragem o inconsciente desespero e o sentimento voraz de abandono desta categoria que não agüenta mais a precariedade de sua condição de vida. O aporte ideológico, neste caso, é trocado pelo instinto primário de mera sobrevivência.



5. Preparando o campo de batalha

Com paciência já no limite, a multidão de perseverantes professores entende que seria necessário subir a Av. Geovanni Gronchi e seguir a caminhada até o Palácio dos Bandeirantes, o lar-doce-lar momentâneo de Serra. Resolvido o penoso impasse, um grupo de manifestantes sobe em direção à avenida, e para surpresa (e que afinal não era surpresa alguma), uma visão se avizinhava. Quem estaria ali? O Bicho-Papão, não! Bem mais feio... Eram os soldados da Polícia Militar e seus colegas gentis da Tropa de Choque bloqueando ostensivamente a passagem. Pensemos: o que poderia acontece numa multidão já cansada e irritada por anos de descaso governamental diante de sua profissão e um bando de brucutus sedentos por “diversão”. Um doce para quem adivinhar!...

Para quem já esta acostumado de ver mobilizações da categoria, é quase sempre uma novela de capítulos reprisados (e que por sua vez, são partes atávicas a este processo). No meio de todo um grupo que com alguma homogeneidade desejam alguns objetivos em comum, sempre surge uma fragmentar minoria dos mais exaltados, mais enfurecidos, os imbecis de plantão, os afoitos candidatos à mártir de ocasião e saudosistas dos “anos de chumbo”. Não pode esquecer-se de mencionar os “elementos estranhos” às pacíficas mobilizações que buscam deliberadamente prejudicar e incriminar qualquer movimento de natureza trabalhista ou social. Essa tal “democracia”...

Absolutamente, nenhum professor em momento algum deixa de sua casa, seus filhos, e seus afazeres para brincar deliberadamente de “Rambo” nas ruas paulistanas e correr risco de vida. Como qualquer profissional, todo docente que leva a sério seu oficio apenas quer ser ouvido, respeitado e acima de tudo, ter um tratamento digno de sua carreira.

Já escreveu o médico e sociólogo francês, Gustave Le Bom, em 1895, “pouco aptas ao raciocínio, as multidões mostram-se muito mais aptas à ação”. “Brasil, um país democrático”? Devo ter lido isto em alguma propaganda governamental... Pela explicação oficial, há uma lei que não permite manifestações em torno do Palácio dos Bandeirantes. Motivo? Quem é o péssimo governante que quer se incomodado pela população? Para variar a postura do governador Serra, foi dar um “passa moleque” na multidão e sequer estava na capital nesta última sexta-feira. Como todo governante de rabo preso, nestas ocasiões de aperto popular, a outrora figura opulenta foge imediatamente. No caso de Serra, para se esquivar da culpa pelo tétrico teatro que iria ocorrer, a desculpa foi que estava “cumprindo agenda no interior do Estado”. Mas nosso excelentíssimo governador foi um anfitrião cordial e mandou mais de quinhentos oficiais da Polícia Militar cercar os arredores onde se concentrava os professores que faziam a assembléia. A preparação do circo de horrores tucano contra os professores só estava no início. Há dois dias, Serra já mostrou seu cartão de visitas com as agressões policiais contra professores que faziam manifestações na cidade paulista de Franco da Rocha. Logo, os sinais eram mais do que previsíveis no que iria ocorrer na assembléia dos professores nos arredores da fortaleza de Serra.



6. A hora da bestialidade

O tempo prossegue sufocante com momentos de impasse e tensão. Na entrada da Av. Geovanni Gronchi, é fechado por um caminhão colocado estrategicamente pela Polícia Militar e dezenas de policiais perfilados. Um grupo de manifestantes mais exaltados começou a tentar furar o bloqueio policial fortemente armado. É importante frisar que duvido que a grande maioria deles fosse realmente algum honesto professor, mas sim elementos estranhos interessados em provocar deliberadamente o conflito! Mãos e pedaços de pau e pedra contra escudos e cassetetes: um belo e equilibrado retrato do sanatório! Após algum tempo de impasse, começou enfim a esperada generosidade de Política Militar com seus disparos de balas de borracha, bombas de efeito moral contra os professores. Desespero generalizado e corre-corre em espaço delimitado dos assustados professores que se encontravam acuados como ratos no Gueto de Varsóvia local. Ainda mais exaltados, outro pequeno grupo de supostos manifestantes em prol dos professores subiram no caminhão que estava bloqueado o acesso da passeata e do carro de som do sindicato. O circo já estava armado e explosivo.

Para quem queria um teatro de boçalidade e sangue, foi recompensada a grande e mórbida expectativa da espera. Não demorou muito para começar a aparecer os primeiros feridos. Um rapaz estava desmaiado e seu corpo transitava apressadamente carregado por colegas. Depois um homem com a boca sangrando parecia ter sido agredido por cassete. Sucessivos estouros de bombas e um pandemônio dentro do matagal. Outro momento chocante, uma mulher com a cabeça machucada com vestes em sangue estava sendo carregada. Seguiram-se cenas onde vários professores passaram mal devido a atmosfera impregnada de gás lacrimogêneo lançado pelos policiais. Observo em meio ao corre-corre, um senhor com as costas marcadas com tiros de balas de borracha (observei rapidamente no mínimo quatro destas marcas). Uma cena insólita foi à visão que tive de uma professora desesperada pedindo para a multidão desarmada partir para cima dos policiais completamente armados: o tom de indignação era da cor de sua face rubra. Nestes momentos de grande tensão e provocação deliberada, a sanidade é deixada de lado e o instinto primário leva a situações desastrosas.

O circo prosseguia. Um tétrico barulho de mais bombas atiradas pelos policiais contra a multidão e o helicóptero da polícia voando baixo para intimidar os professores. O carro de som do sindicato estava mais perdido do que eunuco em sex-shop, assim como perdida estava nossa nobreza sindical que tanto fizeram para a assembléia ter sido realizada naquele local. Vale o registro da insólita cena, das lideranças refugiando em cima do caminhão. É a velha história, quem quer ser comando, tem que ter responsabilidade e coragem de decisão... O resto é discurso retórico e bolorento!

Eis a cena panorâmica, o Cícero Pompeu de Toledo, palco de grandes duelos futebolístico de um lado e do outro desfilava impunemente a borrachada solta da tropa de choque em tudo que se mexia pela frente. Pedir para que as pessoas ficarem calmas em momento de grande estresse e descontrole generalizado é o mesmo que torcer para que o time da Portuguesa, a Lusa do Canindé, conquistar algum título importante no futebol.
Perdido no combate assim como o norte dos seus dirigentes, o carro de som do sindicato de forma insólita, grita por ambulâncias para os feridos. As cenas de professores agredidos pela Polícia Militar foram profundamente repugnantes e estúpidas. A selvageria tomou o lugar da sensatez (aliás, este último é um elemento escasso entro do “sindicalismo profissional” e nunca encontrado no governo dos tucanos). Saldo divulgado de feridos da estúpida batalha do Morumbi (e possivelmente subestimado): vinte manifestantes e seis policiais.



7. Autismo sindical e autoritarismo tucano: uma certeira explosão

Pensando de forma pragmática: O que acontece quando se coloca pedaços de queijo em discretas ratoeiras? A partir daí, ficar a espera dos ratinhos... Tempo vai, tempo vem... E o inevitável acontece: para muita curiosidade ou desatenção, os roedores perdem-se as suas cabeças. Trocar uma mobilização uma consistente e indispensável na Avenida Paulista, centro de exposição do capital e da mídia e trazer um movimento de trabalhadores para o meio de uma tocaia que é Palácio dos Bandeirantes pode a primeira vista muito "heróico", mas na prática é um exercício de insensatez (para não dizer de plena estupidez irresponsável). O que se viu foi a mais velha e carcomida história de sempre: quem não pensa, padece. Quem não compreende o momento histórico e fica preso às cartilhas corroídas pelas traças estará sempre fadado a cometer os mesmo e previsíveis erros. Exalam desta maneira algumas facetas do “autismo sindical”: desagregador, burocrático, oportunista, perdulário, pífio, acéfalo e estéril.

Como todo bom tucano, Serra praticou sempre uma política autoritária contra o funcionalismo público e isto nunca mudou durante sua gestão. E por que iria mudar agora? Com toda a honestidade, quem não sabia que os professores seriam recebidos com porretada da Polícia Militar nas portas do Palácio dos Bandeirantes com um governo sabidamente fascistóide como a gestão de Serra? Será que alguma brilhante direção sindical imaginaria que após inúmeros atos de arrogância prepotente de Serra, nosso ilustre governador iria receber os professores para o chá das 17h em seu Palacete de Supremo Poder? Absolutamente nada justifica as agressões aos professores e, por outro lado, nada justifica levar uma multidão de professores para o Gueto de Varsóvia paulistano. Levar os professores à tocaia e de lá para o “SPA do Porrete” é o mais absoluto atestado de incompetência sindical. Parabéns aos seus líderes!

Insistir conscientemente em ter seus professores “voluntariamente” espancados é no mínimo um ato de profunda estupidez. Se a atual direção da APEOESP tivesse um mínimo de vergonha na cara, coisa que há muito tempo inexiste tal termo no dicionário sindical, abriria mão de seus cargos e assim seria pudesse ser realizado de forma mais lúcida, salutar e transparente a uma nova e lícita eleição para dar uma nova vida a esta entidade. O que causa mais indignação é ver um conjunto de pessoas dispostas a fazer algo para melhorar as suas próprias condições de trabalho e ter uma direção sindical completamente perdida no tempo e no espaço. É na adversidade que se conhece seus aliados e assim construir novas maneiras de agir e pensar. A oportunidade de fazer história se esbarra na intransigência e estupidez de suas lideranças que estão mais preocupadas na manutenção ilusória do poder do que a dignidade dos seus representados.

É fundamental ressaltar que absolutamente nada justifica o sangue de inocentes. Tensões entre sindicado e governo podem ocorrer (independente de siglas partidárias), porém não é tolerável a absurda manipulação do fiel da balança pela via do sangue de inocentes. Mesmo que seja uma decisão estratégica completamente equivocada por parte do sindicato em fazer uma assembléia num lugar inóspito, traiçoeiro e difícil acesso, jamais o Poder Público poderá tratar seus cidadãos como ratos desprezíveis. Deixar uma polícia armada até os dentes para espancar professores é uma atitude de uma covardia que ultrapassam todos os limites de humanidade.



8. Epilogo?: As próximas cenas do mesmo velho filme

A luta dos professores é por salários e condições dignas de sua profissão. E isto não poderá abrir mão neste momento. E agora? Escondido em algum recanto do interior, como é de praxe, Serra finge que não é com ele a confusão e nega a conversar com os professores. Regurgita Serra: “somente um por cento é grevista”, e segue esta mesma conversa mole de um político que tem em suas ações a marca da intolerância e arrogância contra o funcionalismo público. Em 2008, muitos se lembrarão da postura como Serra tratou os policiais civis em greve. Na ocasião, os policiais civis fizeram uma assembléia próxima da região onde foi a assembléia dos professores desta sexta-feira. A mais absurda batalha campal da história recente do ocidente entre duas polícias de um mesmo Estado da federação: a civil, em greve, é a militar, para dispersar os grevistas a mando de Serra. Para todos que devem lembrar, forma cenas de extrema violência e estupidez de funcionários públicos armados de ambos os lados! Isto é a política de diálogo do candidato a postulante ao Planalto, isto são as práticas do “modelo tucano” que tem como José Serra o seu atual expoente.

E quanto à balela do Estado democrático? Alguém vai ser responsabilizado pelas deliberadas agressões aos professores? É claro que não! Será mais fácil a conta ir para os professores pagarem pelos “prejuízos” das balas, porretes e bombas utilizadas no teatro policial contra a categoria.

Para completar o relato, procuro ver a cobertura dos jornais sobre o teatro de horror do Morumbi. Segue a cobertura da quase “invisível” greve dos professores. Entre a sensacionalista cobertura da novela do caso “Isabella”, para minha não-surpresa, leio na manhã de sábado, 27/03, a manchete escancarada euforicamente na Folha de S. Paulo: “Serra volta a crescer; Dilma estaciona”. Que maravilha!: Serra arrocha salários, humilha os funcionários públicos, espanca arrogantemente professores e ainda se dá bem nas pesquisas eleitorais para a corrida ao Planalto! É claro que tais pesquisas são todas “inocentes” e com caráter meramente “jornalístico”. A canalhice do membro do conselho da FOLHA, Gilberto Dimenstein continua impune como sempre e escreve irresponsavelmente para a FOLHA ONLINE: “Professores dão aula de baderna”. Na versão do noticiário noturno da Rede GLOBO (SPTV 2ª. Edição) foi anunciado para o telespectador como se os professores fossem um bando de arruaceiros que estavam “batendo” na pobre e indefesa Polícia Militar!

Enfim, palmas para a tática paleolítica da Assembléia no Gueto de Varsóvia paulistano e a delicadeza do indefectível autoritarismo tucano postulante ao Palácio do Planalto! Para variar, a cobertura da Big Mídia, sempre afável à alguns governantes e suas políticas de interesse privado (e no caso de Serra, é patético o explicito apoio à sua gestão), foi de reforçar mais uma vez, a imagem dos professores contra a população. E depois muita gente fica “enchendo o saco” verberando que a greve dos “milionários e chorões” professores “é política”!... Afinal, o que não é derivado da ação ou inação política na sociedade? Quem quer trabalhar no caos e na servidão (quase) voluntária? Para quem acha que a vida é das áureas cores das páginas da “Revista Veja”: acorda cidadão!

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